OS CONDECORADOS: OS GRANDES SANTOS JESUÍTAS

Por Ketlhyn Joice

A Companhia de Jesus surgiu como uma verdadeira máquina de produzir santos. Inspirados por seu pai e fundador, Santo Inácio de Loyola, seus membros eram formados por um espírito e disciplina militar que, orientado às realidades espirituais de uma vida de piedade e devoção, fazia de seus integrantes verdadeiros soldados à serviço do Sumo Pontífice. Com fome e sede de almas, a Companhia forjou incontáveis santos, sendo uma das instituições eclesiais mais bem-sucedidas nos anos áureos de sua missão.

Desse vasto exército que conquistou mares e terras para Nosso Senhor, alguns homens atingiram um grau de santidade tão alto que suas vidas se destacaram sobremaneira, tornando-se uma bela continuação dos livros de história da Igreja – história que sempre vive de seus grandes santos e seus feitos.

Como este guia não conseguiria esplanar em detalhes todas elas, resolvemos elencar e resumir a vida de uma série de importantes santos jesuítas, para que você tenha um primeiro contato com suas biografias e procure conhecer mais suas histórias depois dessa leitura. Ademais, também elencamos os santos jesuítas que pisaram em nosso país, deixando um legado para a Terra de Santa Cruz.

Que a vida desses missionários seja sempre um testemunho de fortaleza e caridade para nós! 

São Francisco Xavier

São Francisco Xavier (1506–1552), Padroeiro Universal das Missões, pode ser considerado junto ao fundador da Companhia como o maior santo jesuíta de todos os tempos. Conquistado por Santo Inácio através da amizade e da pregação dos Exercícios Espirituais, renunciou aos seus ideais fúteis e mundanos e passou a ter uma vida de meditações e penitências. Ordenou-se sacerdote e foi enviado a Portugal e às Índias, chegando próximo de ingressar na China. Tendo percorrido quase todos os países do Extremo Oriente Médio, foi o primeiro missionário que aportou no Japão, onde realizou milhões milhares de batismos e dezenas de milagres espetaculares (entre eles, mais de trinta ressurreições). Morreu às portas da China no dia 2 de dezembro de 1552, deixando o legado da força do Evangelho aos seus inúmeros filhos e inspirando uma comoção nunca antes vista, tendo o seu corpo ficado incorrupto por muitos anos.

São Francisco de Borja

São Francisco de Borja (1510–1572) era pai de oito filhos antes de tornar-se membro da Companhia. Após a morte de sua esposa, renunciou a todos os bens e cargos direitos que tinha por ser duque e vice-rei e entregou-se a Nosso Senhor, sendo ordenado sacerdote. Conhecido por sua devoção ao Santíssimo Sacramento, foi eleito geral da Companhia como um dos primeiros sucessores de Santo Inácio, organizando inúmeras casas de formação e abrindo missões em países da América Latina. Faleceu em 30 de setembro de 1572.

São Luís Gonzaga

São Luís Gonzaga (1568–1591), Patrono da Juventude e dos Seminaristas, estava destinado às glórias mundanas por herdar a província da família; entretanto, desde muito cedo recebeu uma educação cristã, mostrando-se mais inclinado à vida de oração e penitência. Com isso entrou na Companhia. Sendo ainda seminarista e estando em meio aos estudos, o jovem santo falece em 1591, aos 23 anos, enfraquecido pelo trabalho que fazia socorrendo os contagiados por uma peste.

São Roberto Bellarmino

O Doutor da Igreja São Roberto Belarmino (1542–1621) nasceu em família nobre, porém empobrecida, mostrando-se desde cedo um estudante brilhante e piedoso. Ingressou na Companhia, tornando-se já nos primeiros anos de estudos um grande pregador, convertendo inúmeros fiéis. Sempre muito humilde e com uma vida austera e pobre, tornou-se uma autoridade na defesa da doutrina da Igreja, escrevendo belíssimas obras de defesa da fé contra as heresias de sua época. O seu túmulo encontra-se em Roma.

São Pedro Fabro

São Pedro Fabro (1506–1546) foi o primeiro sacerdote da Companhia de Jesus. Orientado desde os primeiros estudos por Santo Inácio, foi quem celebrou a Santa Missa em que os seis primeiros jesuítas fizeram seus votos de pobreza, castidade e obediência. Tornou-se peça fundamental na expansão da Companhia por seu trabalho em toda a França, Espanha e Portugal. Deixou este mundo em 1º de agosto de 1546.

São Pedro Canísio

Considerado o “sucessor” de São Bonifácio como Apóstolo da Alemanha, São Pedro Canísio (1521–1597) era um holandês que desde pequeno demonstrava enorme piedade. Entrou na Companhia já em santidade e foi designado para trabalhar contra o crescimento das heresias protestantes na Alemanha. Fundou colégios, universidades, participou do Concílio de Trento, editou inúmeras obras e organizou missões por toda parte. Morreu em 21 de dezembro de 1597. Foi declarado Doutor da Igreja por Pio XI. 

Santo Estanislau Kostka

Santo Estanislau Kostka (1550–1568) nasceu de família nobre e era polonês. Aos quinze anos foi enviado para estudar no colégio jesuíta com o irmão e dois primos. Após a Companhia ser dissolvida pelo imperador da época, Estanislau morou no palácio de um príncipe luterano e sofreu todo tipo de tormento por conta de sua fé católica – recebendo uma visita da Virgem num dia em que quase morreu, solicitando para que entrasse na Companhia. Não tendo o apoio da família, vestiu-se de mendigo e foi à Alemanha a pé pedindo esmolas no caminho. O superior aceitou seu ingresso na Companhia e, apenas nove meses depois, tendo uma vida mística intensa, deixou este mundo em 15 de agosto de 1568, mal completando os 18 anos de idade.

São Paulo Miki e Companheiros, Mártires do Japão

São Paulo Miki (1562–1597) e seus companheiros eram oriundos da Igreja japonesa, fundada por São Francisco Xavier. Quando lá começou a ser perseguida a fé católica, ele e seus companheiros foram martirizados no ano de 1597. Dentre eles estava também o Irmão João Soan, de 19 anos, e o Ir. Diogo Kisai, de 64 anos. Estendido no madeiro, São Paulo Miki exortava aos presentes que se convertessem à Igreja de Nosso Senhor.

São João de Brébreuf e Companheiros, Mártires do Canadá

São João de Brébreuf (1593–1649) e seus companheiros eram missionários que viviam a observância da regra com grande heroísmo. Enviados para o Canadá, tiveram a difícil missão de converter povos indígenas bárbaros, conquistando o primeiro batismo apenas após seis anos de pregações. Em 1642 foram mortos por índios iroqueses, que invadiram as Terras Hurons e os martirizaram cruelmente – tendo como recompensa desse sacrifício a dispersão dos poucos cristãos que sobreviveram na região, que acabaram levando a semente do cristianismo aos povos da América Setentrionaldo Norte. 

SANTOS JESUÍTAS NO BRASIL

São Roque Gonzáles, Santo Afonso Rodrigues e São João de Castilho

São Roque González (1576-1628), Santo Afonso Rodrigues (1598–1628) e São João de Castilho (1595–1628) são os primeiros mártires jesuítas canonizados no Brasil.

São Roque nasceu em Assunção, no Paraguai; Santo Afonso, em Zamora, na Espanha; e São João, em Belmonte, também na Espanha. De vida austera e incansável apostolado, São Roque desde pequeno sentiu-se chamado ao serviço do altar. Ordenado sacerdote diocesano e atuando alguns anos como Vigário-Geral, entrou já padre para a Companhia de Jesus, professando os primeiros votos após quase três anos. Enviado em missão para diversos países, encontrou campo aberto na evangelização dos aborígenes nas regiões que percorrem o Rio Uruguai, especialmente no Rio Grande do Sul – local onde recebeu os jovens padres jesuítas Afonso e João como companheiros de missão.

Após um trabalho de evangelização incansável, foram brutalmente martirizados em 15 e 17 de novembro de 1628, na região de Caaró, no Rio Grande do Sul. Os três santos foram beatificados em 1938 por Pio XI, em Roma, e canonizados em 1988 por São João Paulo II, em Assunção. Apesar de serem conhecidos como “os mártires paraguaios”, os três mártires também podem ser venerados como santos brasileiros, por terem dado sua vida pelo Evangelho em nosso país.

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