COMO É ESCOLHIDO UM PAPA 

“Habemus Papam”: essa é a famosa frase que percorre o mundo e anuncia o eleito para ocupar a Cátedra de São Pedro, unida à já conhecida fumaça branca nas chaminés do Vaticano.

Nos últimos tempos, com as coberturas jornalísticas e a velocidade dos meios de comunicação, é possível acompanhar em tempo real, pelo lado de fora, um pouco do que se passa neste momento sigiloso e de grande importância para nossa Igreja.

Desde nossas casas, trabalhos e afazeres, celebramos e rezamos pelo eleito, mas para muitos surge a curiosidade: como é feita a eleição mais importante da Igreja Católica Apostólica Romana?

A verdade é que esta eleição já passou por muitas modificações ao longo da história da Igreja, e não se sabe com exatidão o processo de escolha de todos os Papas. Porém, a definição do processo tal como o conhecemos hoje se deu em 1271, instituído pelo papa Gregório X. Foi ele quem estabeleceu que o processo de escolha passaria a ser cum clave”, do latim “com chave”, e com restrições progressivas com o passar do tempo de votação. Nesta, estabeleceram-se as determinações e regras básicas para organização dos conclaves futuros.

Uma das razões para essa reestruturação da eleição papal foi a excessiva demora no período de votação. No caso da eleição do próprio Papa Gregório X, o processo de escolha durou quase dois anos. Para evitar um período tão longo, determinou-se que os cardeais teriam três dias para realizar a escolha. Após esse tempo, teriam sua alimentação limitada, recebendo apenas uma refeição pela manhã e outra à tarde. E se, depois de cinco dias, ainda não houvesse acordo no resultado final, os cardeais recebiam apenas pão, água e vinho. Esta foi uma das formas encontradas para que os cardeais estivessem com o foco voltado totalmente à vontade divina, abertos e em unidade. A limitação corporal expressaria uma maior abertura espiritual a realizar a escolha sob inspiração do Espírito Santo.

Depois, com o passar do tempo, o funcionamento do conclave foi sendo adaptado para as necessidades de cada período. As normas atuais foram determinadas por São João Paulo II em sua Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis

Desde então, após a morte do Papa ou sua renúncia – como foi o caso de Bento XVI -, a assembleia de cardeais reúne-se com total sigilo e isolamento. Cardeais vindos do mundo inteiro integram o total de 120 votantes para a escolha do novo Vigário de Cristo.

Assim, em dia de intensa oração, começando pela Santa Missa, os cardeais realizam uma procissão à Capela Sistina, pedem o Espírito Santo com a conhecida oração Veni Creator Spiritus e fecham-se cum clave. O mestre de cerimônias pronuncia o “Extra omnes!” (“Fora todos!”, ordenando que aqueles que não tenham a ver com a eleição saiam do recinto). As portas se fecham e ficam sob a proteção da Guarda Suíça, e os cardeais, então, dão início às rodadas de votação para eleição.

Dentro do Conclave

Para ser eleito, o escolhido precisa receber dois terços do total de 120 votos, sendo que nenhum cardeal pode se abster do voto, nem votar em si mesmo. Quanto às rodadas de votação, estas ocorrem quatro vezes ao dia: duas votações matutinas e duas vespertinas. 

Quando o requisito da maioria de votos não é alcançado, os papéis são queimados com produtos químicos que convertem a fumaça na cor negra, indicando ao mundo exterior que a eleição prossegue, ainda sem resultado final.

Caso não haja um eleito depois de três dias, a votação é suspensa por um dia para oração, discussão e exortação espiritual. Há então mais sete votações, e mais uma pausa com o mesmo intuito. Isso pode acontecer por mais duas vezes. Caso não haja solução, os cardeais podem decidir se a próxima eleição será decidida por maioria absoluta, ou uma espécie de “segundo turno”, em que os dois que receberam mais votos na votação anterior podem ser escolhidos por maioria absoluta.

Passadas as etapas estabelecidas, e tendo um eleito final, o cardeal de mais idade pede o consentimento do eleito: “Aceita a sua eleição canônica como Sumo Pontífice?”. Em caso afirmativo, os papéis são queimados com produtos que convertem a fumaça na cor branca, como anúncio da escolha definitiva ao mundo externo, acompanhada dos sinos da Basílica de São Pedro.

O sucessor eleito, então, dirige-se a uma pequena sala contígua onde o esperam as vestes papais. Esta sala especial costuma ser chamada de “Sala das Lágrimas”, já que, conforme a tradição, todos os eleitos choram ali, diante da magnitude da missão que acabam de assumir: apascentar o rebanho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O novo Papa coloca as vestes, escolhe seu nome pontifício e é apresentado ao mundo inteiro com a fórmula tão conhecida:

Anuncio-vos uma grande alegria;
Temos um Papa;
O eminentíssimo e reverendíssimo Senhor,
Dom (nome em latim).
Cardeal da Santa Romana Igreja
(sobrenome no idioma original).
Que se impôs o nome de (nome papal em latim).

Na praça de São Pedro, no Vaticano, a multidão celebra efusivamente o anúncio do sucessor, como bem podemos testemunhar, hoje em dia, graças às transmissões ou ao privilégio de acolher o eleito presencialmente em Roma.

E a Igreja, unida em um só coração, recebe seu novo Pastor, aquele que foi chamado a cumprir a vontade de Deus para com seus filhos.

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