São Pedro: o primeiro dos apóstolos

Tu es Petrus et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam” (Mt 16, 18).

São inúmeras as passagens bíblicas que demonstram a primazia de Pedro em relação aos demais apóstolos. Começando pelo conhecido versículo de São Mateus, que abre esta reflexão: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (cf. Mt 16, 18). 

Também em outras passagens vemos a figura de Pedro sobressair-se aos demais — todos os evangelistas são unânimes em colocá-lo em posição de destaque, seja como porta-voz dos demais ou como aquele em quem Jesus deposita confiança para as situações mais sigilosas.

É Pedro quem está, junto a Tiago e João, no monte da Transfiguração. Também é ele quem fala em nome dos apóstolos: “A quem iremos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna” (cf. Jo 6, 68).

Por sua boca ouvimos a proclamação da verdadeira natureza de Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo” (Mt 16, 16). É Pedro, ainda, quem é chamado (de novo junto a Tiago e João) a acompanhar o mestre em sua maior agonia no Horto (cf. Mt 26, 36-46). Ele, mais uma vez, é quem reflete a maior debilidade e infidelidade humana a Jesus: nega-o três vezes, arrepende-se e volta à vida velha (“Vou pescar”, cf. Jo 21, 3).

Quem de nós nunca se viu nesta mesma negação?

No entanto, se em Pedro vemos nossa pequenez e fraqueza, também é nele que vemos a declaração mais sincera e arrependida – a incansável esperança na Misericórdia: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo” (cf. Jo 21, 17).

Um homem de visível fraqueza humana, em quem o Homem Deus quis mostrar toda sua fortaleza. Assim é a figura de Pedro, o escolhido – a rocha sobre a qual seria edificada a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Sagrada Escritura e a Tradição nos ensinam que este homem simples e pescador foi o escolhido para ser o primeiro entre os apóstolos; para ser aquele que guiaria e apascentaria seu rebanho.

As recorrentes menções a São Pedro nos evangelhos e nas cartas neotestamentárias são uma das confirmações desta predileção de Nosso Senhor — um total de 171 menções, superior a qualquer outro apóstolo. O próprio Jesus já havia determinado quem seria o chefe de sua Igreja após a ascensão, e assim foi: São Pedro tornou-se, por escolha divina, o primeiro Papa da Igreja Católica Apostólica Romana.

Quando se fala, portanto, de sucessão apostólica, fala-se da sucessão ao que primeiro ocupou o trono papal, o Vigário de Cristo na Terra.

Sendo Jesus Cristo ao mesmo tempo homem e Deus, também Sua Igreja tem uma natureza dupla: é divina e humana. Sua cabeça divina é o próprio Jesus Cristo, mas o Senhor sabia que era necessário a seu rebanho ter também uma cabeça humana, um líder na Terra que pudesse ser o porta-voz e pastor de Sua vontade. Esta é, segundo a tradição, o magistério e a Sagrada Escritura, a natureza do Papado que principia com São Pedro.

A ele foram dadas as chaves do Reino dos Céus. A suas mãos humanas Deus confia a missão de guiar cada ovelha, e esta missão é passada para cada Papa que assume a Cátedra de São Pedro.

São Pedro também representa, com sua missão na Igreja, a unidade necessária de todos os fiéis. Através dele unem-se todos, devendo-lhe obediência e confiança – tanto a ele quanto a seus sucessores.

Esta obediência não é cega, porém: é uma obediência firmada nas determinações de toda a história da Igreja, como bem afirma o então Cardeal Joseph Ratzinger, quando ainda era o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé:

“Em todo o caso, é fundamental afirmar que o discernimento acerca da congruência entre a natureza do ministério petrino e as eventuais modalidades do seu exercício, é um discernimento a ser feito in Ecclesia, isto é, sob a assistência do Espírito Santo e em diálogo fraterno do Romano Pontífice com os outros Bispos, segundo as exigências concretas da Igreja. Mas, ao mesmo tempo, é claro que só o Papa (ou o Papa com o Concílio ecuménico) tem, como Sucessor de Pedro, a autoridade e a competência para dizer a última palavra sobre as modalidades de exercício do próprio ministério pastoral na Igreja universal”.

Que grande missão Deus confiou a este homem, antecipando a missão de todos os seus sucessores!

Crendo nisso, também se explica a determinação da primazia da Igreja romana em relação às demais partes do mundo.

Por que, afinal, Roma deve ser o centro?

Tudo começa em São Pedro e em seu nobre martírio: “Ao basear-se no testemunho do Novo Testamento, a Igreja Católica ensina, como doutrina de fé, que o Bispo de Roma é Sucessor de Pedro no seu serviço primacial na Igreja universal; esta sucessão explica a preeminência da Igreja de Roma, enriquecida pela pregação e o martírio de São Paulo” (Cardeal Joseph Ratzinger, em seu artigo O primado do sucessor de Pedro no ministério da Igreja).

São Pedro é, pois, o primeiro: aquele que, por ser maior, é o que mais serve; aquele a quem o próprio Jesus confia sua Esposa, a Igreja; aquele que será o guia e a unidade da Igreja desde sua fundação até o fim dos tempos, na pessoa de seu sucessor; aquele que olha o Cristo e, mesmo apesar de sua própria fraqueza, afirma crédulo e confiante: “Tu és o Cristo!”. Aquele que, em lágrimas, converte-se definitivamente, arrepende-se e entrega toda a sua vida por amor de Cristo e de Sua Igreja: “Tu sabes tudo, Tu sabes que eu Te amo” (cf. Jo 21, 17).

Las lágrimas de San Pedro, pintura de El Greco, 1587-1596.

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